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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Seg Fev 08, 2010 5:29 pm |
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Nunca em amor danou o atrevimento
Nunca em amor danou o atrevimento; Favorece a Fortuna a ousadia; Porque sempre a encolhida cobardia De pedra serve ao livre pensamento.
Quem se eleva ao sublime Firmamento, A Estrela nele encontra que lhe é guia; Que o bem que encerra em si a fantasia, São u~as ilusões que leva o vento.
Abrir-se devem passos à ventura; Sem si próprio ninguém será ditoso; Os princípios somente a Sorte os move.
Atrever-se é valor e não loucura; Perderá por cobarde o venturoso Que vos vê, se os temores não remove.
Luís de Camões
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Seg Fev 08, 2010 5:31 pm |
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De quantas graças tinha, a Natureza
De quantas graças tinha, a Natureza Fez um belo e riquíssimo tesouro, E com rubis e rosas, neve e ouro, Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na pureza Do belo rosto as rosas, por quem mouro; No cabelo o valor do metal louro; No peito a neve em que a alma tenho acesa.
Mas nos olhos mostrou quanto podia, E fez deles um sol, onde se apura A luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em vossa compostura Ela a apurar chegou quanto sabia De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.
Luís de Camões
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Seg Fev 08, 2010 5:36 pm |
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Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894. Filha ilegítima de uma "criada de servir" falecida muito nova, alegadamente de "nevrose", foi registada como filha de pai incógnito, marca social ignominiosa que haveria de a marcar profundamente, apesar de curiosamente ter sido educada pelo pai e pela madrasta, Mariana Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira. Note-se ainda que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa a perfilhou, por altura da inauguração do seu busto em Évora, debaixo de cerrada insistência de um grupo de florbelianos. Estudou em Évora, onde concluiu o curso dos liceus em 1917. Mais tarde vai estudar para Lisboa, frequentando a Faculdade de Direito. Colaborou no Notícias de Évora e, embora esporádicamente, na Seara Nova. Foi, com Irene Lisboa, percursora do movimento de emancipação da mulher.
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Seg Fev 08, 2010 5:37 pm |
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Mais Alto
Mais alto, sim! mais alto, mais além Do sonho, onde morar a dor da vida, Até sair de mim! Ser a Perdida, A que se não encontra! Aquela a quem
O mundo não conhece por Alguém! Ser orgulho, ser àguia na subida, Até chegar a ser, entontecida, Aquela que sonhou o meu desdém!
Mais alto, sim! Mais alto! A intangível! Turris Ebúrnea erguida nos espaços, À rutilante luz dum impossível!
Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber mal da vida dentro dos meus braços, Dos meus divinos braços de Mulher!
Florbela Espanca
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Seg Fev 08, 2010 5:39 pm |
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Vozes Do Mar
Quando o sol vai caindo sobre as águas Num nervoso delíquio d’oiro intenso, Donde vem essa voz cheia de mágoas Com que falas à terra, ó mar imenso?...
Tu falas de festins, e cavalgadas De cavaleiros errantes ao luar? Falas de caravelas encantadas Que dormem em teu seio a soluçar?
Tens cantos d'epopeias?Tens anseios D'amarguras? Tu tens também receios, Ó mar cheio de esperança e majestade?!
Donde vem essa voz,ó mar amigo?... ... Talvez a voz do Portugal antigo, Chamando por Camões numa saudade!
Florbela Espanca
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Ter Fev 09, 2010 8:15 pm |
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Noites da Minha Terra
Anda o luar espalhando fios de prata Pelos campos fora…Lírios a flux Lança o azul do céu…e a terra grata Transforma em mil perfumes toda a luz!
As estrelas cadentes vão ’spalhando Lirios brancos também…agora a terra Parece noiva linda, que sonhando Caminha pró altar, além na serra…
É meia-noite agora. Tudo quieto Na noite branda, dorme…Entreaberto Vai esfolhando o lírio do luar
As alvas folhas, que cobrindo o céu, E todo o mar e toda a terra, um véu Branco,de noiva, lembra a palpitar!…
Florbela Espanca
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Isabel Santos
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Assunto: Fernando Pessoa Qua Fev 10, 2010 6:32 pm |
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Fernando Pessoa o meu poeta favorito
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 8:54 pm |
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Olá Isabel Eu também gosto muito de Fernando Pessoa.... Quem não gosta...!!!! Mas a minha intenção ao abrir este "Fio", er colocar informação e foto do poeta e a seguir alguns dos seus poemas... Bjs.
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 8:55 pm |
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Sem Palavras Brancas, suaves mãos de irmã Que são mais doces que as das rainhas, Hão de pousar em tuas mãos, as minhas Numa carícia transcendente e vã.
E a tua boca a divinal manhã Que diz as frases com que me acarinhas, Há de pousar nas dolorosas linhas Da minha boca purpurina e sã.
Meus olhos hão de olhar teus olhos tristes; Só eles te dirão que tu existes Dentro de mim num riso d’alvorada!
E nunca se amará ninguém melhor; Tu calando de mim o teu amor, Sem que eu nunca do meu te diga nada!...
Florbela Espanca
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 8:55 pm |
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O Maior Bem Este querer-te bem sem me quereres, Este sofrer por ti constantemente, Andar atrás de ti sem tu me veres Faria piedade a toda a gente.
Mesmo a beijar-me a tua boca mente... Quantos sangrentos beijos de mulheres Pousa na minha a tua boca ardente, E quanto engano nos seus vãos dizeres!...
Mas que me importa a mim que me não queiras, Se esta pena, esta dor, estas canseiras, Este mísero pungir, árduo e profundo,
Do teu frio desamor, dos teus desdéns, É, na vida, o mais alto dos meus bens? É tudo quanto eu tenho neste mundo?
Florbela Espanca
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Isabel Santos
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Assunto: Fernando Pessoa Qua Fev 10, 2010 9:18 pm |
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Olá Tina,
Quem não conhece Fernando Pessoa? Mas tudo bem aqui vai a foto.
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 9:32 pm |
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Fernando Pessoa, um dos expoente máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico». Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa. A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa. O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial. Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.
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Maria Ernestina Carvalho
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 9:34 pm |
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Teus Olhos Entristecem Teus olhos entristecem Nem ouves o que digo. Dormem, sonham esquecem... Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste, Te disse tanta vez... Creio que nunca o ouviste De tão tua que és.
Olhas-me de repente De um distante impreciso Com um olhar ausente. Começas um sorriso.
Continuo a falar. Continuas ouvindo O que estás a pensar, Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso Sumir da tarde fútil, Se esfolha silencioso O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 10:12 pm |
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O que Me Dói não É O que me dói não é O que há no coração Mas essas coisas lindas Que nunca existirão...
São as formas sem forma Que passam sem que a dor As possa conhecer Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza Fosse árvore e, uma a uma, Caíssem suas folhas Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 10:13 pm |
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Sorriso Audível das Folhas
Sorriso audível das folhas Não és mais que a brisa ali Se eu te olho e tu me olhas, Quem primeiro é que sorri? O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente Para fins de não olhar Para onde nas folhas sente O som do vento a passar Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando Onde não olha, voltou E estamos os dois falando O que se não conversou Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 10:15 pm |
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Liberdade Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. Sol doira Sem literatura O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma, Esperar por D.Sebastião, Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 10:16 pm |
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Não Digas Nada!
Não digas nada! Nem mesmo a verdade Há tanta suavidade em nada se dizer E tudo se entender — Tudo metade De sentir e de ver... Não digas nada Deixa esquecer
Talvez que amanhã Em outra paisagem Digas que foi vã Toda essa viagem Até onde quis Ser quem me agrada... Mas ali fui feliz Não digas nada.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Qua Fev 10, 2010 10:17 pm |
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Pobre Velha Música!
Pobre velha música! Não sei por que agrado, Enche-se de lágrimas Meu olhar parado.
Recordo outro ouvir-te, Não sei se te ouvi Nessa minha infância Que me lembra em ti.
Com que ânsia tão raiva Quero aquele outrora! E eu era feliz? Não sei: Fui-o outrora agora.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
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Isabel Santos
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Assunto: Fernando Pessoa Qui Fev 11, 2010 9:45 pm |
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[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]Estátua de Fernando Pessoa no café A Brasileira, localizado junto ao Largo do Chiado, em Lisboa.
Pessoa, para além de poeta, foi um grande pensador, um grande filósofo. Escreveu poemas com conteúdos completamente díspares, atribuindo a sua autoria a vários heterónimos que ele criou. Mas foi ainda mais longe, para cada um desses heterónimos, ele imaginou uma biografia de forma a harmonizá-la com o conteúdo desses poemas. Enfim, uma forma perfeita de demonstrar que o pensamento de cada ser humano está inexoravelmente ligado à sua vivência.
Um dos heterónimos de Fernando Pessoa é Álvaro de Campos...
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Assunto: ALMEIDA GARRETTT Ter Fev 16, 2010 2:00 pm |
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ALMEIDA GARRETT
[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
João Baptista da Silva Leitão de Almeida e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Port, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português. Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
Na poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas coletâneas publicadas na última fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas, de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamente desconhecidas na poesia portuguesa anterior.
Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como «Pescador da barca bela», próximas da poesia popular quando não das cantigas medievais.
Barca Bela
Pescador da barca bela, Onde vais pescar com ela. Que é tão bela, Oh pescador?
Não vês que a última estrela No céu nublado se vela? Colhe a vela, Oh pescador!
Deita o lanço com cautela, Que a sereia canta bela... Mas cautela, Oh pescador!
Não se enrede a rede nela, Que perdido é remo e vela Só de vê-la, Oh pescador.
Pescador da barca bela, Inda é tempo, foge dela Foge dela Oh pescador!
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Ter Fev 16, 2010 2:09 pm |
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DESTINO
Quem disse à estrela o caminho Que ela há-de seguir no céu? A fabricar o seu ninho Como é que a ave aprendeu? Quem diz à planta – “Floresce!” - E ao mudo verme que tece Sua mortalha de seda Os fios quem lhos enreda? Ensinou alguém à abelha Que no prado anda a zumbir Se à flor branca ou à vermelha O seu mel há-de ir pedir? Que eras tu meu ser, querida, Teus olhos a minha vida, Teu amor todo o meu bem… Ai! não mo disse ninguém. Como a abelha corre ao prado, Como no céu gira a estrela, Como a todo o ente o seu fado Por instinto se revela, Eu no teu seio divino Vim cumprir o meu destino… Vim, que em ti só sei viver, Só por ti posso morrer.
Almeida Garrett
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Assunto: Re: Poetas Portugueses Ter Fev 16, 2010 2:55 pm |
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Seus Olhos
Seus olhos --- se eu sei pintar O que os meus olhos cegou --- Não tinham luz de brilhar. Era chama de queimar; E o fogo que a ateou Vivaz, eterno, divino, Como facho do Destino.
Divino, eterno! --- e suave Ao mesmo tempo: mas grave E de tão fatal poder, Que, num só momento que a vi, Queimar toda alma senti... Nem ficou mais de meu ser, Senão a cinza em que ardi.
Almeida Garrett
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