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UM BEIJO SEM NOME

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MensagemAssunto: UM BEIJO SEM NOME   Sex Dez 28, 2007 1:19 pm

Vou deixar um Poema que me foi enviado pelo João Sousa e a minha Maezinha linda Genny. Bem aqui esta.
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" Quando te disse
que era da terra selvagem
do vento azul
e das praias morenas...
do arco-iris das mil cores
do sol com fruta madura
e das madrugadas serenas...

das cubatas e musseques
das palmeiras com dendém
das picadas com poeira
da mandioca e fuba também...

das mangas e fruta pinha
do vermelho do café
dos maboques e tamarindos
dos cocos, do ai u'é...

das praças no chão estendidas
com missangas de mil cores
os panos do Congo e os kimonos
os aromas, os odores...

dos chinelos no chão quente
do andar descontraido
da cerveja ao fim de tarde
com o sol adormecido...

dos merenges e do batuque
dos muquixes e dos mupungos
ds imbondeiros e das gajajas
da macanha e dos maiungos.

da cana doce e do mamão
da papaia e do cajú...

tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!"

Ana Paula Lavado
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MensagemAssunto: beijo sem nome.   Sex Jan 11, 2008 5:48 pm

...Quando li este poema lembrei do "cheiro da terra molhada "naqueles dias quente de sol abrasador que só refrescava quando a chuva caía embebendo a terra seca.
Depois eu e a criançada corriamos por aquelas lagoas que nos deixavam o coração pulando de alegria.
Quem não gostava nada disso era o meu pai que nos ia buscar e a toque de caixa nos fazia correr á frente dele.
.......Que saudades !!!


Genny :flower:
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Dom Fev 17, 2008 2:20 am

Carla


As maiores felicidades a este projecto. Aqui deixo a minha primeira prestação e apoio.

Um beijinho e:


ÁFRICA MINHA

Selvática paisagem
que longínqua
me ficas no pensamento...

Flamingos de pata escondida
debicando no lodo do pantanal
em bandos de rosa salmão...

Pôr de sol fenomenal
em céu íntimo, artesanal...

Bola de lume, miragem
em delírio de amarelo colorida
num horizonte que reinvento...

Savana que esconde o leão,
pisada pelo elefante descomunal,
em queimada ressequida
que a chuva num momento
alaga e abunda de vida...

Safari de luz e de sonho
que respiro ao picar dos mosquitos
num borbulhar que inflama,
nas asas da exótica borboleta
que em véu de cores esvoaçantes
povoa o ambiente...

Girafa elegante
beliscando o alimento
na espinheira erguida...

Pacaça em lago nocturno
em listas de zebra disfarçada
antílopes, ao odor do ar, em desfilada...

Chita veloz que cruzando o espaço
num ápice amordaça a presa, a caça...

Cheirando o acampamento
a hiena chora num vagido,
traidora, enganando sabida
no meio do capinzal...

Na noite, a fogueira crepitante
afasta a fera, a onça, hesitante...

O batuque ecoa na imensidão
no bambolear de corpos dançantes
negros, nus, brilhantes
do próximo aldeamento...

Hora de sons e de encantamento
que a lua espelha no rio tortuoso,
serpente que pela terra rasteja
no decurso da minha viagem...

Galinha do mato que a miudagem
persegue divertida...

Embondeiro velho e esquecido
símbolo pátrio e brasão
que recordo com comoção...

Catarata de deslumbramento
que a meus olhos aflui em catedral
de beleza inexpugnável
dessa África minha densa e vivida
receptáculo peculiar
da minha saudade inexplicável.


Isabel Branco


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MensagemAssunto: Um dom   Dom Fev 17, 2008 2:09 pm

Olá Meninas!
Parabéns pelos belos poemas... isso é um Dom que vocês tem.
Adoro ler poesia... poemas, e qdo se trata da nossa terra amada... ai nem se fala.
Aos poucos vou acresentar mais poemas no vosso espaço.
Kiss e tenham um ótimo Domingo.
Kiss + kiss I love you
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Dom Fev 17, 2008 6:04 pm

ERA O TEMPO...

Era o tempo das papaias
rubras e adocicadas...
Era o tempo das gazelas
em livre selva listadas...
Era o tempo das quimeras,
das promessas abençoadas...
Era o tempo dos safaris,
dos elefantes e das caçadas...
Era o tempo dos embondeiros
e suas ratazanas penduradas...
Era o tempo das memórias
verdejantes e das chuvadas...
Era o tempo da formiga salalé,
das catedrais e galerias rebuscadas...
Era o tempo de renascer,
emergir das majestosas trovoadas...
Era o tempo dos tempos
em vozes silenciadas.
Era o tempo que perdemos
das esperanças amarfanhadas.

Isabel Branco

(do meu livro Imanências em Tons de Azul)

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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Seg Fev 18, 2008 1:15 am

África Minha


África
Do batuque ...Das E mulatas ...
Mulatas lindas ...
Que dançam ...

Ao som do batuque ....
E deixam ...

Que o seu corpo ...
Transforme Se ...
E como serpentes ...
A rodopiar ...

Elas dançam ...
Transmitem E ...

A sua magia ...
Do Ser
E voltar a ser ...
E tu África ...
E tu mulata ...
Deixas que o batuque ...
Transforme Te ...
E que sintas ...
O rebolar ...
Do teu corpo ...
A beijar, o universo! ...



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(A ti ... Negage ... Meu amor)[/ Size]
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Seg Fev 18, 2008 1:44 am

Lili

Esse teu poema , me fez lembrar o dia em que pela primeira vez comi um abacata.
Lindo mas sem sabor, tinha me esquecido de colocar açucar.

Quando era estudante tinha um abacateiro no quintal que dava abacates que eram uma delícia.

Obrigado por este lindo poema.

bj
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Seg Fev 18, 2008 3:59 am

GENNY
Este abacateiro estava em frente à minha casa e ao lado dos correios.
Na rua que todos palmilhávamos todos os dias para ir para a escola(primária).
Esta árvore faz parte dos nossos sonhos e das nossas recordaçóes e hoje ao lembrá-la e ao relembrar os seus braços fortes e longos como a quererm que nada nos fizesse mal...ficamos com a saudade e sem querer uma lágrima acaba por rolar...

por vezes recordar também é doer...
um beijinho...
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MensagemAssunto: A BONECA   Seg Fev 18, 2008 10:15 pm



A BONECA



Lembro-me bem de ti,
boneca feiona e desengonçada,
de pernas partidas e cabelos queimados,
com rostos cor de romã
num corpinho feito de trapos.
Recordo-te ainda hoje como se,
te apertasse nos meus braços
E mesmo quando zangada
te atirasse para longe
e te batesse como fiz tantas vezes.

Eras a mais feia
de todas as minhas bonecas!
No entanto, a mais bela!
Um dia, por maldade ou brincadeira,
Alguém te arremessou
para cima do telhado.

E esta, era então que
uma menina nos seus primeiros passos,
chorou, Sofreu por não ter
A sua boneca horrenda à cabeceira.
Mas, para minha alegria,
a chuva foi nossa companheira.

Fez-te escorregar e cair
A entrada da porta
E, na noite seguinte,
já a meu lado dormias,
querida Marafona de trapos.

Hoje recordo uma menina,
dona duma boneca
feiona e desengonçada.
De ambas tenho saudades!

Onde estarás tu agora?

Em que caixote de lixo,
Distante, jazes?

Quem te abraça
ou quem te despedaça,
selvagem em fúria,
por teres minha Sido e adorada?

A distância que nos separa é grande.
Existe entre nós um marco

E não só! ...

Afasta-nos uma guerra
que me obrigou um tempo sem partir
de te pegar para te trazer comigo.
E, como eu te adorava ...

Hoje, minam-me as saudades de ti
e dessa infância tão querida e perdida.

Vejo que agora volto a chorar
E a sofrer,
por não te ter mais à cabeceira,
boneca feiona e desengonçada
que, no fundo,
foste de todas a mais amada.

Isabel Branco

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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Ter Fev 19, 2008 9:39 pm

Isabel

Sem dúvida que os temas que abordas me fazem sempre lembrar de situações passadas quando era uma pequerrucha.

Um dia minha mãe comprou-me um boneco lindo mas daqueles de papelão, fez-lhe uma roupinha de tricout azul.
Dormia com ele e não entendia muito bem porquê que ele ficava quentinho quando o abraçava e ficava frio quando o deixava.
Um dia fui dar-lhe um banho com água morninha, demorei demais e o coitado do boneco começou a ficar mole...muito mole e de repente, pernas e braços se desmancharam. Imagina a choradeira.


bj
Genny :flower:
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Ter Fev 19, 2008 10:21 pm

Genny

Fiz algo parecido com um urso de pelúcia amarelo, novinho, com um grande laço vermelho, maior que eu, que na altura tinha dois anos. Meti-o dentro da banheira comigo e esfreguei-o com o piaça. Quando a minha mãe percebeu, já era tarde.
Dizia -me ela : "Que estás a fazer Belinha"???...
E, eu só respondia: "À banha mamã...à banha, mamã".
O interior do urso era de palha, e coitadinho... esteve pendurado quase uma semana no varal para secar, mas ficou muito feio e esquisito. Mas era o meu urso adorado, o meu companheiro de tantas tropelias e arrelias.

As crianças são assim mesmo... Não precisam de brinquedos perfeitos para os amarem de verdade!

Um beijinho,

Isabel Branco


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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Sex Fev 22, 2008 11:52 pm

CÉU

Como é belo e límpido o céu azul...
Céu, cheio de nuvens lindas e desenhadas...
Onde os pássaros voam em bando...
E onde eu gostava de morar...

Morar lá longe, morar lá no alto
Sem ninguém…e ficar sozinha
Onde me movesse...voando...
E não sentisse...que tu existias...
Como seria bom…poder estar só!...

Sozinha... comigo ...
E com mais ninguém...
Queria sentir´...que era livre...
E que dentro de mim...no meio das nuvens...
Não existia nada... que me recordasse...
Que tu também existias!...



Lili Laranjo (Palavras Soltas).
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Sab Fev 23, 2008 4:36 pm

Isabel!

Hoje eu vou colocar aqui um poema da minha mâe.

EU TIVE UM SONHO!


Com teu luar prateado,
o teu odor a queimado,
no deserto e na savana,
sonho e vejo lá ao fundo,
miragens de um outro mundo,
da minha terra africana!

Em noites de batucada,
tua gente embiagada,
à roda de uma fogueira;
envolvidos no caniço,
no mistério e no feitiço,
dançam á sua maneira!

E ao romper o novo dia,
do fogo daquela orgia
apenas resta a fumaça;
ao redor de uma sanzala,
o pirão numa quimbala,
e o macau numa cabaça!


Angola, tua magia...
que nos encanta e amarra,
à nostalgia,
da tua alma bizarra.

Lutécia de Sousa.


um beijinho :flower:
Genny
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MensagemAssunto: Cheira-me   Seg Fev 25, 2008 12:04 am

Olá Genny. Poema lindo o da tua mãe!

E seguindo o caminho deixo, com um beijinho:


Cheira-me

Cheira-me uma terra
um barro,
uma cheirosa argila,
daquela que depois da Chuvada
o capim deitava pelo chão.

Cheira-me uma manga,
uma saborosa papaia,
daquela que eu trepava ao muro
e retirava da árvore.

Cheira-me um café,
bago fresco e colorido,
Caminhada da que depois
para a escola eu apanhava.

Cheira-me a flores,
um cosmos e um caramanchão em rosas
que minha cidade ornava
E, do ar, em doce aroma se respirava.

Cheira-me um bicho,
um mato, uma selva
daquela que se recorda
anhara felina onde não se dorme.

Cheira-me um rio,
um mar, uma praia dourada
Aqueles de sol e Beleza Rara
Sortilégio que se agarra.

Cheira-me uma queimada,
savana abrasada de luz,
Extensa e Ingreme picada
Fronteira em planáltica.

Cheira-me uma laranja
adocicada,
uma queda de água enorme e abençoada,
um feitiço na madrugada de lua,
uma batucada ...

Cheira-me a saudade
daquela que tenho guardada no peito.
Embondeiro gigante Transformada
da minha terra amada para sempre.


Isabel Branco

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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Ter Fev 26, 2008 3:32 am

Mesmo demorando...volto sempre...


VOLTO A SONHAR


Gostava de saber
Que subo as escadas
E ao subir, olho
E vejo-te sentado...

Sentado a olhar para mim
Nessa cadeira, em que te sentas
Rodeado de calma e alegria...

Perto de ti... até as flores sorriem
Perto de ti a música é mais suave
Perto de ti eu atrevo-me a sentar
E perto de ti eu sinto tocar-me...

E sentada junto de ti
Entre as flores e a música
Eu sei que posso esta
E que contigo posso sonhar...

Sonhar, sonhar...
Ter sonhos dos mais lindos que há
E com os meus dedos afago os teus cabelos
E sinto que posso continuar a sonhar...


Lili Laranjo(Palavras soltas)
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Qua Mar 05, 2008 7:38 am

Olá boa gente

Cá estou, para deixar-vos o link de um vídeo, sobre o estigma que foi criado após a descolonização para muitos portuguese e africanos # o retornado".Este vídeo conta uma história sobre o drama vivido por uma retornada.
Gostaria de apelar para a vossa paciência, no sentido de aguardarem pela parte final do vídeo, onde a pessoa em causa faz a declamação de um poema da poetisa angolana Alda Lara. No meu caso pessoal, ao escutá-lo fiquei com a pele em galinha, e as lágrimas escorriam-me pelo rosto

Esta é a minha pequena contribuição, que gostaria de compartilhar com todos vós.

http://www.dailymotion.com/cazimar/video/x4lmwm_retornados-alda-lara_creation

Beijocas

Cazimar :sunny:
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MensagemAssunto: Arrepios realmente   Qua Mar 05, 2008 2:06 pm

Olá Meninas!
Nossa Cazimar tens toda a razão ... da arrepios o poema.
Lindo é pouco... vale a pena esperar ... mas a história dela também é sofrida como a maioria.
Kiss a todos
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Qua Mar 05, 2008 3:55 pm

Amigos,
Este poema solta
uma lágrima presa,
Aquela que Acorrentada
Todos Trazemos no peito
Desde a hora da partida
daquela terra tão querida.
Deixe-mo-la ser chorada
pois com ela, nossa alma
Nesse Sortilégio é reavida.

Um beijinho,
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Sab Mar 08, 2008 4:33 am



“ Não é Fácil “

Não...
Não é fácil !
Viver..
Quantos sabemos infelizmente
Como é díficil enfrentar a terrível realidade
Que sobre nós, desaba de repente
E depois !
Como sobreviver à condenação
Numa angústia permanente
Lutando com coragem e dignidade
Na incerteza de quantos amanhãs
De luta em vão
Ainda teremos para viver
Seja qual fôr a idade...

Não...
Não é fácil !

Sentir a vida como se fosse areia
A escaparmos por entre os dedos das mãos
E sentirmos todos artistas impotentes
Os que sofrem na plateia como assistentes
E os que fazem da vida um palco
Onde todos os dias representamos
Para disfarçar a dor, a tragédia e a comédia
Ocultando num sorriso destorcido
A angústia que albergamos
O sofrimento tão sofrido...

Não ...
Não é fácil !
Aparentar conformismo, tranquilidade
Quando de um modo profundo
Nos sentimos desfeitos, aniquilados
Perdidos, rejeitados pelo mundo...

Não ...
Não é fácil !
Criar uma imagem de falsa confiança
E num jeito de adulto desamparado
Abraçar com o olhar vago
Perdido na esperança
Tudo o que nos rodeia, nos é querido
E fingir
Está tudo bem, controlado

Não...
Não é fácil !
Verificar que o olhar que nos fita com ternura
Encobre a piedade, o desencanto
Disfarçando a dor e a amargura
E na terrível e talvez injusta expectativa
Ficamos a todo o instante esperando
O tal beijo, de fugida, apressado
Marcado pelo gelo da indiferença
Num gesto de confiança. Desconfiado

Não...
Não é fácil !
Pensar na morte, como parte da vida
Sem revolta nem auto compaixão
É ao senti-la mais de perto
Resistir-lhe com firmeza e determinação
Contando só, com o momento presente
Porque esse ... esse !
É o único que temos certo

Não...
Não é fácil
Partir, quando tanto amor temos para dar
Tanto ainda por fazer
Tanto sonho por realizar


Não é fácil !
Meu Deus !


Qualquer cruz é díficil de carregar
Sabe-Lo bem ...
Mesmo, quando a madeira é leve, polida
De pinho...
Deixa na carne e na alma
Penosas marcas...

Mas, meu Deus!

Vê, como esta é pesada, áspera, rogosa
Cheia de farpas que magoam e ferem
Como espinhos...

Ajudai-me Senhor !

A carregá-la com humildade
Porque eu estou fazendo esforço
Estou ficando exausta, cansada
Para percorrer até ao fim, este calvário
Numa curta longa caminhada

Não é fácil !
Meu Deus!
Não ...
Não é fácil


Maria Rosa Rio Maior
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MensagemAssunto: Re: UM BEIJO SEM NOME   Dom Mar 23, 2008 12:39 am

Amig(o)as

Tem sido dificil aparecer, mas aproveito para desejar que este início de Primavera chegue cheio de Poesia e que tod(o)as tenham uma doce e gostosa Páscoa, acreditando fundamentalmente na Ressurreição da vida e d' alma.

Um beijinho e:


PÁSCOA


Numa bíblica evocação,
vejo um Homem pregado na cruz.
A seus pés, Madalena em oração
chora o santo nome de Jesus.

Carpindo o cruel sacrifício,
limpando-lhe o rosto do sangue,
dos espinhos da coroa, em armistício,
alivia ao Senhor o corpo exangue.

Numa rubra túnica de linho
o vil romano convertido
junto ao madeiro reza baixinho.

Rasgam-se os negros céus a relampejar
Uiva o vento em fúria. É Páscoa.
É Jesus que morre, para nos salvar!


Isabel Branco

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